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terça-feira, 18 de maio de 2010

Uma cama para três...



Antes de ser mãe eu nunca tinha gasto muitos neurônios com o assunto 'cama compartilhada', até porque achava que já tinha uma opinião formada, definitivamente. 

Pois é, tinha...

 Acontece que quando eu era pequena detestava dormir com meus pais. Lembro de sentir a maior agonia quando precisava fazer isso por um ou outro motivo, não sei explicar a razão, só sei que não gostava. Lembro também de algumas vezes ter dormido com meus avós e a sensação de desagrado ficou muito viva na memória. E olha que eu amava ficar na casa deles mais que tudo na vida quando era pequena.
O fato é que eu nunca gostei de dormir junto com ninguém (coincidência ou não, com o maridão eu adorei dividir o travesseiro desde a primeira vez que isso aconteceu, mas foi SÓ com ele).  

 O tempo passou e quando a Alice nasceu eu tinha aquela noção a partir das minhas sensações da infância, reforçadas por aquele velho papinho que diz que "criança que dorme com os pais fica mal acostumada" e por aí vai.  Tinha uma resistência fortíssima à ideia de colocar sequer o berço em nosso quarto, tanto que fiz questão de colocar uma cama no quarto dela para que eu pudesse ficar lá o tempo necessário - leia-se: até que ela dormisse sozinha. 

Sentia receio, confesso. Receio de quê?  Nem eu sei ao certo...mas achava que ela não ia querer nunca ir para o berço e depois para a sua própria cama. Além disso - atire a primeira fralda suja quem nunca sentiu -  aquele medinho meio lenda urbana de sufocar o bebê durante o sono me incomodava outro tanto. 
E então a Alice nasceu...e eu pensei que ia adoecer de cansaço e privação de sono. Nunca pensei que ficar sem dormir doesse, juro! E olha que eu estava bem acostumada a dormir pouco (antes de engravidar, é vero...) mas nada, eu disse NADA que eu tinha vivido até então se comparou à loucura daquele primeiro mês quando me vi totalmente sozinha com uma recém nascida num inverno medonho em plena histeria coletiva por causa da tal gripe H1N1 (o maridão voltou a trabalhar na sua rotina de horários imprevisíveis três dias depois de chegarmos do hospital de modo que era eu, a Alice e os gatos apenas... ).  Só para contextualizar,  eu cheguei num limite de exaustão e stress que nunca pensei que chegaria na vida. Tudo isso arrematado com o problema que tivemos na amamentação x falta de orientação do primeiro pediatra (que contei aqui, aqui e aqui), além do trauma do parto em si (mas isso é ouuuuutra história, juro que assim que me sentir pronta vocês serão as primeiras pessoas a lerem o relato). 

Cheguei num ponto de chorar de cansaço, estava quase(?!!?) entrando em desespero, juro. Eis que um belo dia o maridão dá a brilhante sugestão: "Por que não encostamos a nossa cama na parede e colocamos ela para dormir conosco?"

Naquela altura, a Alice tinha um mês e meio de vida e o que eu mais queria era descansar meu corpo mais  moido que pimenta em restaurante mexicano no nosso belo colchão queen-size, mesmo que fosse por uma hora ou duas. Enfim, topei na hora (mas cheia de receios, confesso). 

E querem saber?  

Foi a melhor coisa que fiz! Devia ter feito desde a primeira noite em casa. Naquela noite, pela primeira vez desde que tinha ido para o hospital ganhar a Alice, eu consegui dormir e acordar me sentindo menos pior melhor. Até ela dormiu visivelmente melhor (comprovado por fotos tiradas alheias à minha vontade - e nem adianta porque não irei publicar, never, hehehe).E para a amamentação foi super importante, acho que se não tivesse feito isso talvez não conseguisse manter a Alice mamando. Na época ela acordava em média a cada 2 horas para mamar.
 Óbvio que fizemos algumas várias adaptações para que tudo funcionasse direitinho. Coloquei uma espécie de protetor na parede feito com material emborrachado (folhas de E.V.A beeem fixadas, claro) para funcionar como protetor de berço, saca? Também usei uma almofada daquelas inclinadinhas (anti-refluxo) que deixava ela na mesma altura do meu travesseiro (que é bem alto). E, principalmente, nunca cobria a bebê com as nossas cobertas, ela tinha um saquinho de dormir só dela. 
Claro que deve ter sido infinitamente mais fácil para muitas outras pessoas (que certamente nem precisaram de tudo isso que eu precisei) mas vale lembrar sempre que estou falando baseada nas minhas experiências, sem a menor pretensão de ganhar o prêmio da verdade absoluta, né? (rsrsrs)

E assim fomos até ela estar com uns cinco meses. 
Tudo ia muito bem, mas o bebezinho começou a crescer...e a se remexer na cama. E o pai desse bebezinho é uma pessoa bem grande...e digamos que pai e filha possuem muitas semelhanças... Além do nariz, que é idêntico, eles dormem iguaizinhos, se remexendo muito. Já eu sou daquelas que deita e acorda na mesma posição (seguidamente com alguma parte do corpo assim, meio formigando). Estava ficando desconfortável  o nosso aranjo então comecei a pensar em passar a Alice para a caminha dela, coisa que já fazia nas sonecas diurnas. Depois de um feriadão que passamos na casa da minha sogra (lá a nossa cama é menor e tem um bercinho ao lado) chegamos em casa e segui no mesmo esquema. Coloquei a Alice para dormir na sua caminha e fiquei dormindo no quarto dela para que ela se sentisse segura (e eu também, ora!). Uma semana depois com tudo indo super bem resolvi ir para o meu quarto (que é colado no dela, literalmente a três passos) e desde então seguimos muito bem assim. 

E a cama compartilhada? Vai muito bem, obrigada. Depois da nossa experiência tive mais certeza que é bobagem nos apegarmos em ideias pré-concebidas e preconceitos. A Alice dorme na cama dela sim, mas dorme conosco também. 

Como assim? 

Quando ela ficava amoladinha (dente nascendo ou qq outra coisa), carente, resfriada ou algo que a deixasse fora do normal, dormíamos juntas num colchão no chão do quartinho dela (pois é, desmontei a 'cama auxiliar' e a Alice ganhou um quarto com mais espaço, sem aquele trambolho inútil). Mas isso foi umas três vezes porque agora, contrariando recomendações inclusive da pediatra dela (que eu adoro de paixão) ela vem para a nossa cama, e dorme no meinho. Geralmente rola para o lado do pai e fica colada nele a noite toda, coisa mais querida. Mas não temos uma regra para que isso aconteça, simplesmente deixamos rolar. A coisa toda foi acontecendo naturalmente e encontramos uma maneira que fica boa para nossa família, enfim...não existem fórmulas.
 A única coisa que é sagrada, se tornou praticamente um ritual e mesmo assim, foi rolando espontaneamente, é que todos os dias quando ela acorda (entre 6:00 e 7:00hs) o pai busca ela no berço para ficar em nossa cama. Ela mama e depois continuamos um soninho até a hora dele levantar. A melhor coisa do mundo é quando chega fim de semana, porque aí não temos hora para sair da cama...coisa boa!
Hoje tenho plena certeza que amo ficar na cama com meus amores, sem crise, sem atucanação com manuais que dizem 'faça assim ou faça assado', sem conselhos bobos martelando na cabeça e no meu caso, principalmente, sem me prender às minhas próprias vivências infantis. 

Para quem nunca experimentou, recomendo! Cada família acaba encontrando um arranjo que funcione, o importante é viver essa troca de carinho porque os filhos crescem rápido demais, o tempo passa correndo na nossa frente sem dar a mínima se aproveitamos o que ele nos trouxe ou não...

E tenho certeza que ninguém fica viciado/mal acostumado/dependente ou seja lá o que for só por dormir aconchegadinho(a) em quem ama, né? 


E pensando bem, quantas pessoas adultas você conhece que ainda dormem com os pais? (rsrsrsrsrs).


*imagem: Getty Images

18 comentários:

Amanda Lima disse...

Aqui em casa foi praticamnete a mesma coisa. E a gabi também é muito igual ao pai, tanto que já fotografei os dois dormindo exatamente igual. E é uma coisa bem boa acordar sentindo aquele cheirinho de neném no nosso travesseiro.

Beijso

P.S: Já passei várias vezes por aqui, mas só agora criei um blog e estou comentando. Sua filha é linda!

Beijos,

Amanda

Beta disse...

Obrigada Amanda, e volte sempre!!!
A Gabriela tb é linda!
Bj

Clau disse...

Roberta penso c/ vc e muitas vezes ja fui criticada, Pedro ganhou um quarto só p/ ele, mas o berço eu montei no meu quarto e lá vai continuar até um ano pelo menos...
já sobre cama compartilhada já "tentamos"mas não deu certo... hehe, mas assim c/ vcs a partir da primeira mamada da manhã ele vai e fica na nossa cama...
beijão

Lully disse...

Oi Miga!!
Como tudo na vida a gente se acostuma!

A Alice tá de niver nesses proximos dias ne?

Beijosssss

Magali disse...

Oi Beta!

Concordo com cada linha que você escreveu! Lá em casa é exatamente a mesma coisa. Inclusive semana passada ela dormiu no meinho de quarta ate domingo porque estava doentinha e essa noite já dormiu no bercinho dela. Coisa mais querida!

Beijão, e VIVA A CAMA COMPARTILHADA!

Andrea Nunes disse...

Beta, olha só, manuais são a mais pura bobagem, acredito cegamente nisso! A Natinha já tem 7 anos e passou por várias fases e com vários arranjos que precisamos fazer enquanto família para nos adaptarmos. Ela já dormiu muito no meinho e ainda dorme quando acorda na madrugada e por um motivo ou outro resolve vir pra nossa cama. Não é insegura e nem mais ou menos dependente que outra criança por conta disso. Ela sabe que não pode dormir todas as noites, porque atrapalha nosso sono mas de vez em quando pode sim.

beijos

Beta disse...

Clau, eu até reconsiderei e tentei botar um berço no nosso quarto mas acredite, ele é tão pequeno que não existe essa possibilidade. Nem os berços desmontáveis serviram...


Lully, siiiim!! O aniver dela é dia 25/05.

Magali, é isso aí! Viva a cama compartilhada, hehehe.

Andrea, tu tem toda a razão...se a criança sabe que existem regras no final tudo fica bem.

Bjão gurias

Juliana disse...

Já conhece a Mamãeu eu Quero?
Estamos com novidades para as festas Juninas!
Passa lá!
Beijos
www.mamaeuqueromama.blogspot.com

Micheli disse...

Eu acho que cada um sabe o que é melhor para si e para seu filho. Eu gosto de dormir com ela até mais tarde no fim de semana, qdo meu marido a traz para a cama para mamar ao acordar de manhã. Mas a noite confesso que não consigo dormir bem, falta espaço, essa coisa toda. Meu marido já caiu da cama e, qdo a coisa aperta e a levamos para a nossa cama, ele acaba indo para um colchão no chão. O nosso combinado aqui é que ela sempre dormiria no quarto dela. Só concedemos exceções qdo os dentes incomodam, e a Clara passa noites acordando, querendo aconchego. No mais, segue no quartinho dela... Mas já não sou mais radicalmente contra como eu era antes.
Estou passando aqui pela primeira vez hj e gostei muito do seu cantinho! Já estou te linkando, ok? Passa para uma visita.
Um beijo.
clarinhacoqueirinho.blogstpot.com

Ju disse...

Ai que ótimo seu texto !!! Pena que pra mim não funcionou , eu AINDA acordo de duas em duas quando não de hora em hhora pra dar de mama pra minha psudo-RN de dez meses ! E quando o pai dela vai trabalhar ele coloca Lulu na nossa cama , mas tem um bendito interruptor na parede em cima da cama que ela AMA de paixão... já viu né..a manhã inteira acendendo e apagando a luz! Haja paciência.rs

Beta disse...

Micheli, concordo; cada família tem uma forma diferente de fazer as coisas. O importante é que fique bom para todos. Tb já passei no teu cantinho e te linkei, volte sempre!!!


Ju, em cima da nossa cama tb tem um interruptor..hehehe. Ás vezes ela acorda de madrugada e inventa de querer ficar acendendo a luz...aí já viu, né? E de manhã se não quer mais dormir tb faz isso, se ela não dorme...nós tb não, hehehe.

Bjão gurias!

flavia fiorillo disse...

seu blog é tudo de bom! conheci por indicação do pequeno guia prático e adorei!
Vou colocá-lo no meu blogroll.
Se você tiver um tempinho, passa para me conhecer.

beijo

flavia
http://mamaesabetudo.blogspot.com/

Profissão: mãe disse...

Roberta, que legal seu blog, está é a primeira vez que passo por aqui, certa que vou voltar muitas...
Qto a cama compartilhada, estou na segunda, já o meu menino, que faz 7 anos amanhã, dormiu conosco até as vesperas da irmã nascer.Qdo a Carol nasceu, foi a glória, pq ela dormia bonitinha no seu berço, até que...não sei como nem pq resolveu dormir conosco, só que agora as vesperas de fazer 2 anos, não dá mais, resolvi.Só que não foi ela que foi pro quarto dela...fui eu!Cansei, ia a voltava 1.000 vezes por noita, aí ela ficou na minha cama e eu na dela...fazer o que...
Ah!devo confessar que tb tinha horror de criança na minha cama...
Bj
Dani

Beta disse...

Flavia, obrigada!!! Pode voltar seeempre, viu?
Tb adorei teu blog, o post sobre nomes então...
Confesso que fiquei super curiosa para saber o nome da Fofoquinha e do Matraca-Trica.
Bjooo

Beta disse...

Dani, pois é...como já comentei, acho muito legal a cama compartilhada desde que todos os envolvidos se sintam confortáveis. Tu já tentou alguma coisa para fazer ela se interessar pela própria cama? Tenho uma amiga que levou a filha para comprar uma "cama de princesa" (nome que a mãe deu para a cama nova), deixou a filha escolher e tal. Funcionou pq ela hoje adora a própria caminha.
Volte sempre! Mi casa, su casa!
Bjooo

Mariana disse...

que vou dizer....o gabi tem 2 anos e 6 meses e quando quer dorme conosco. e nós 3 achamos bom, e isso que importa!
adorei o blog, parabéns pela sinceridade!
beijão

Beta disse...

Obrigada Mariana!!!
Bjão

LUA disse...

Aff!!Já postei algo parecido com isso no meu blog, e naquele momento(acho que uns dois meses atras) jurei pra mim, que a inha pequena voltaria a dormir no seu quartinho...mas até hj não consigo!Ela já tem dois anos e está num apego sem-fim...dói em mim, dói nela e mais inda no pai, que acorda morto com as pernadas e braçadas!!!
a nossa cama compartilhada parece não ter fim!aff!!