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terça-feira, 6 de abril de 2010

Os pediatras de minha vida ou a saga pediátrica

Não é de hoje que venho pensando em escrever sobre esse assunto. Ultimamente mais de uma amiga ou conhecida comentou comigo sobre a dificuldade de encontrar um pediatra em que que confie ou simplesmente um profissional que a faça sentir acolhida como mãe (principalmente as de primeira viagem, né?).

Algumas até me confessaram que apesar de não concordar com as imposições  sugestões do médico que acompanham seus filhotes, continuam com ele.

Outras disseram meio sem jeito que não acham o pediatra do filho(a) a melhor escolha mas enfim "foi quem atendeu na maternidade e não vou/ não posso trocar".

Pára tudo!!!!!!!!!

Como assim não vai trocar? E quem disse que não pode ?!!?!?

Gente, na minha opinião super hiper mega pessoal (sem hífen), a pessoa que dividirá uma parte dos cuidados essenciais da criaturinha mais importante da sua vida deve ser, no mínimo, alguém com quem você simpatize e mais do que isso, confie de verdade.

E ainda vou além, o pediatra ideal para mim pode não ser o mesmo para você pois ele (ou ela!) além de te passar confiança deve seguir uma linha de pensamento que case com as suas ideias. Tipo, se os pais acreditam em terapias alternativas, não vão ficar confortáveis com um médico tradicionalíssimo que qualquer espirro já receita um remédio alopático ou pior ainda, um antibiótico.

Da mesma maneira alguém que simplesmente ache a maior besteira esse negócio de florais, homeopatia, acupuntura e tal vai se sentir totalmente deslocado ao se deparar com um pediatra homeopata ou mesmo um adepto da medicina antroposófica.

Captou?

E olha que não é só na parte ideológica, na parte "mecânica" a coisa também é muito complicada.

Explico: é muito difícil encontrar um pediatra realmente preparado para te orientar no início da amamentação, por exemplo. E não estou falando em dar uma aula com datashow sobre o assunto, mas sim um pouco de bom senso e "feeling" naquele período crucial no pós-parto onde estamos nos acertando com o processo todo (muitas vezes sob um estresse gigantesco). Estou falando em te olhar nos olhos, pedir para observar o bebê mamar e  verificar a pega no mamilo, ser realista na avaliação ganho/perda de peso e não te empurrar para uma lata de fórmula infantil pronta e ainda te mandar dar mamadeira para um bebê de poucos dias. 

Estou falando em não fazer terrorismo com os pais, especialmente os de primeira viagem que já estão estressados e preocupados com coisas suficientes.

Estou falando em um profissional atualizado e bem informado que compreenda a insegurança que a dificuldade inicial em amamentar causa em uma mulher. Que saiba orientá-la sobre uma técnica maravilhosa chamada translactação, que eu mesma utilizei com a minha filha. Afinal, se for para complementar que seja assim e não com mamadeira! Aquele pediatra que vai ter humildade em te dizer que não pode te dar essa orientação com precisão (embora possa ser maravilhoso em todo o resto, porque não?) e então vai te indicar um serviço de apoio em algum banco de leite, sem comprometer a relação de vocês (na minha opinião isso não comprometeria, ao contrário, iria fortalecer e me fazer confiar mais nele).

É claro que não podemos generalizar pois existem sim esses profissionais maravilhosos que realmente vestem a camiseta da sua profissão e abraçam essa causa como seu projeto de vida. Mas são poucos...

Por outro lado também existem pais e mães ansiosos e intransigentes que não se contentam com um diagnóstico honesto e querem sempre saber mais que o médico. E esses não são tão poucos... 

E também existem aqueles pais de primeira viagem, transbordando de amor pela cria, inseguros, atrapalhados, querendo muito acertar, tentando ser perfeitos sempre e que acabam metendo os pés pelas mãos e ligam de madrugada para o médico correm  atrás do santo pediatra por qualquer espirrinho do filhote...mas esses fazem parte do pacote da especialização em pediatria e deveria (será que não tem?) ter uma aula só sobre isso na faculdade (hehehe). 

Cabe ressaltar que lááááá nos idos do final dos anos 70 minha mãe teve muita sorte de encontrar um desses médicos que vestem a camiseta da profissão. Lembro dele, um senhor gordinho com uma cara simpática, muito sorridente e cheio de paciência. Minha mãe conta que ele tinha ideias avançadas para a época, sobre alimentação, desfralde e febre. Conta também que ele cansou de tirar minhocas que insistiam em ir parar na cabeça dela. Não sei se ele ainda é vivo, mas se não for tenho uma certeza: se existir mesmo o céu, é lá que ele está.

Quando chegou a minha vez de encarar um pediatra para a filhota a coisa foi bem diferente, meio conturbada desde o início.


Logo nos primeiros dias da Alice em casa, eu tive suspeita de produção insuficiente de leite materno, pois quando a Alice retornou para a consulta após 10 dias da alta  hospitalar faltavam 90 gramas para ela recuperar o peso do nascimento. 

90 gramas! Gente isso é quase nada. Mas então, fui orientada a dar complemento, mesmo sem análise da pega do seio pela boca da bebê, estado dos mamilos. Nada. 

Graças a Deus, universo, santos da igreja católica, entidades espirituais em geral, fada madrinha, papai Noel, Coelinho da Páscoa e meu amado anjo da guarda que eu, por um acaso do destino, conheci a translactação e encontrei o equipamento todo na farmácia quando a caixinha dele literalmente caiu na minha cabeça.

E isso mudou a minha história, e a da Alice também.

Nessa época cheguei a consultar um pediatra que tem uma clínica em cima de um dos hospitais com a maternidade mais badalada daqui, bem famoso por sinal e quando comentei da translactação ele fez uma cara de quem achou uma besteira e disse algo do tipo que não valia  a pena tentar essas coisas muitos diferentes. Risquei ele da minha lista para sempre, famoso ou não, com clínica chiquérrima ou não.  

Quando a Alice tinha quase 3 meses ela começou a ficar muito, mas eu disse MUITO constipada. A pobrezinha fazia cocô uma vez por semana em média (eu marcava num calendário) e vivia irritada, chorosa, mal humorada. E a mãe aqui desesperada em encontrar uma solução.

Nessa fase eu limpei pouquíssimas fraldas sujas de cocô...e todos diziam que era normal, que eu não devia me preocupar que era assim mesmo. Mas algo me dizia que aquilo estava muito errado, por mais que eu tentasse me convencer do contrário...

Um dia por acaso conversei com um amigo médico e pai de bebê pequeno e comentei isso com ele e ainda pedi uma indicação de pediatra. Esse amigo não apenas disse o que eu já sentia no meu coração de mãe (que aquilo  não era normal e não estava certo) como me falou para consultar com a mãe dele, pediatra hiper competente e experiente. Na realidade ela não atende mais nessa área, mas abre exceções para alguns pacientes e ele pediu que ela me atendesse.

Essa mulher incrível não apenas resolveu o poblema da constipação como também analisou as anotações com a evolução de peso da Alice e disse com todas as letras que aquela perda inicial foi super normal e o fato de faltar apenas 90 gramas para atingir o peso do nascimento não era um problema, considerando que a pesagem foi feita quando ela tinha apenas 16 dias. E que essa avaliação deveria ter sido repetida uns dias depois e não simplesmente mandar introduzir leite artificial no bebê. E que eu não tinha produção insuficiente coisíssima nenhuma senão ela nem teria ganho o peso que estava na época.

As palavras dela me fizeram um bem enorme na alma, saí da consulta leve e de coração em paz. Pela primeira vez desde que a Alice tinha nascido eu dormi uma noite de sono realmente restauradora, mesmo tendo que levantar umas duas vezes para amamentar.

Mas infelizmente não deu para continuar com essa médica. Apesar de ótima, o consultório dela ficava do outro lado da cidade (na época eu morava na zona norte). Era impraticável ir sozinha  na consulta dependendo de no mínimo duas conduções de ida e duas para volta, mais as coisas que precisava carregar para a Alice. Ficamos uns três ou quatro meses com ela mas a cada consulta era preciso montar todo um esquema, se estressar muito com os horários, o maridão faltava ao trabalho, tinha o trânsito e quando chovia então...

Hoje vejo que essa decisão foi muito motivada pela minha insegurança de mãe de primeira viagem, do que qualquer outra coisa.

Um belo dia quando estava na minha sessão de acupuntura (quem nunca experimentou, pode ir com fé, recomendo!) e perguntei para minha amada médica se ela conhecia algum homeopata infantil ou um pediatra que atendesse mais perto da zona norte. Ela não só me indicou uma pediatra mas uma que é também homeopata. E o consultório fica a umas seis quadras da minha casa! Posso ir calmamente com a Alice no carrinho e chego lá em 20 minutos. Sorte? Prefiro acreditar em providência divina, na real.

O que posso dizer é que senti aquele "feeling" imediatamente no momento em que pisei no consultório. Na sala de espera várias crianças felizes, sorridentes e pais com expressão tranquila.

E a consulta só confirmou minhas sensações; a drª é uma senhora simpática, sorridente mas firme e consistente nas palavras e explicações. Gosto disso. Nos meses que seguiram ela mandou manipular algumas fórmulas homeopáticas, me explicou algumas coisas na época que os dentes da Alice começaram a nascer e me fez ter mais convicção ainda nos meus pontos de vista. 

A conclusão que eu tirei de tudo isso?

Não podemos jamais ter medo/receio/vergonha ou seja lá o que for quando se trata de ir em busca do que acreditamos ser o melhor para aqueles que amamos. 

Então, se você não sente aquela empatia genuína, aquela confiança tranquila no pediatra de seu filho, TROQUE JÁ! 

E vale pedir indicação para amigos, lista de discussões, blogs de mães (hehehe), mães de colegas de creche, mães em fraldários, mães na pracinha...

E continue buscando até encontrar quem te fará sentir que é a pessoa certa. Faça isso não por você, não pela sua tranquilidade, não pelas suas noites de sono bem dormidas. Faça isso pelo seu filhote, afinal essa pessoinha tão importante merece ser tratada por alguém em quem a mamãe confie de verdade, né?

E vocês, o que acham? 

*imagem: banco de imagens do google

11 comentários:

Magali disse...

Oi Roberta!

Eu tive sorte de primeira com a pediatra. Foi a minha obstetra q recomendou, e eu só fui conhecer a pedi na hora do parto!! Depois ela ia toda hora no meu quarto nos ver e fez uma "reunião" comigo e com o meu marido, explicando que teríamos semnpre que passar segurança pra Alice, que eu não deveria ter medo, que tudo era muito simples (e é mesmo!), era só uma questão de EU confiar em mim para cuidar daquele serzinho. Um amor!!

Ela atende perto da tua casa, na frente do Zaffari, deixo o carro lá e ainda faço compras depois da consulta! kkkkkkkkkkkk

Beijão, Magali

Marie disse...

Olá Roberta, descobri o teu blog através do Nave mãe! Parabéns pelo post, penso exatamente como tu. Como assim, não está muito segura com o pediatra e não vais trocar?? Eu fiz apenas a consulta preliminar e de uma semana com o primeiro pediatra, até que resolvi ligar para ele e explicar que meu bebe de 3 semanas estava regurgitando bastante, e com a maior naturalidade o médico disse (e tudo isso foi por telefone): - Vou te receitar o remédio para refluxo, 4 vezes ao dia. Assim, sem analisar o meu bebe. Troquei de médico na mesma hora. Por enquanto estou tranquilo com este. Hoje o meu filho Theo está com 7 semanas, não apresenta qq sinal de refluxo!
Vou seguir acompanhando teu blog.
Marília

Mari disse...

Viva a translactação - que foi milagrosa aqui em casa tb - e viva os pediatras que fazem "clic" com a gente, né? E tem mais: negócio é escolher direitinho e depois confiar, porque o que a gente recebe de informações desencontradas pelo mundo afora é de enlouquecer qualquer mãe. se eu não tivesse decidido, num certo momento, "vou ouvir a pediatra e ponto final", ia ter pirado...

Mas menina, eu vim aqui dizer que COMO ASSIM Mylanta segura náusea??? Onde você estava com essa informação quando eu estava botando os bofes pra fora??? haha!
Me jogo no Mylanta pra azia, mas não sabia desse efeitos nos enjôos. Que pena! Agora preciso de uma terceira gravidez pra poder usar essa dica...
Beijo!

Beta disse...

Ai gurias que legal vcs aqui participando!!!
Voltem sempre!
Bjo

Tânia Magalhães disse...

Aquele pediatra dos anos 70 se chama "Angelo"..literalmente ele era assim. Hoje é um anjo mesmo!
Parabéns por mais este post, Beta!

karen froes disse...

Báh...Beta...o q é essa tão maravilhosa trasnlactação...me ensina...buááá...bjo amiga...ta demais o blog...q tal um post sobre esse assutno?? ja abusando né!!!

Beta disse...

Migueeee Karensita! Vou fazer o post sim, pedido feito é ordem, hehehe.
Mas tu eu acho que não precisa usar a técnica, teu caso foi bem ao contrário, o guri não dava conta de tanto mamá disponível, né?
Bjo

Pri disse...

Beta querida!
Parabéns pelo post, pelo blog!
É de encantar!
Eu e o Tutu tivemos muita sorte com o Tio Márcio, um pedi desencanado pra dedéu e, ao mesmo tempo, muito atencioso!
Beijos pras mamis e pros filhotes!

Gabriela Prado disse...

Roberta!!!!

Penso exatamente como vc!! Imagina, todo aquele cuidado na gestação, parto e tals e deixar o pediatra ser qualquer um?? Com minha filha? Nem pensar!!!!

Acho que pediatra tem que ter feeling, empatia com as mães e aatender nossas expectativas (além dos nossos telefonemas desesperados na madrugada!! hehe).

Amei o post!!

Bjs, Gabi

Larissa Lopes disse...

Ola, nao sei se vc chegou a comentar o nome da pediatra da Alice e eu estou enlouquecida a procura de um para a minha Alice. Se puder me passar, por gentileza. Tb moro na ZN. Obrigada.

Roberta Ribeiro disse...

Oi Larissa, desculpe tanta demora mas eu estava com doi perfis no google e não me dei conta (o perfil que eu não usava estava conectado ao blog). Resolvi isso ontem e só então vi teu comentário.
O nome da pediatra é dra Isabel C. Santos, R. Sport Club São José, 67 -
(51) 3341-2546

Bjo