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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Apuros de mãe ou a vida cotidiana...

 
*****ATENÇÃO:  Se você ainda não viu o filme e NÃO quer saber o final, pare agora de ler esse post!  Quer continuar lendo? Vai em frente mas depois não diga que não avisei...


Esses dias por acaso assisti um filme. Não é lançamento e a maioria de vocês talvez já tenha assistido. Confesso que não sou muito adepta dos filmes com a temática familiar (afinal esse filme a gente vê em casa, todos os dias -  literalmente). Mas como já tinha lido uma crítica ou outra e o filme era com uma das minhas atrizes preferidas (Uma Thurman) resolvi arriscar.
O filme é "Motherhood" (aqui recebeu o título "Uma mãe em apuros").
A história se passa em Manhattan e mostra um dia (a)típico da vida de Eliza Welch, mãe de dois filhos, escritora e - vejam só! - blogueira. Além de dar conta de todos os afazeres domésticos clássicos ela corre contra o tempo preparando sozinha a festa de aniversário de 6 anos da filha, com o filho pequeno (que está começando a caminhar) a tiracolo.
É claro que ela se depara com uma série de contratempos, tipo lutar por uma vaga no estacionamento, socializar com outras mães no playground e resolver uma encrenca após postar uma confissão de sua melhor amiga em seu blog. E além de tudo isso, decide entrar em um concurso promovido por uma revista onde ela precisa escrever uma redação de 500 palavras sobre o que a maternidade representa para ela (e enviar no mesmo dia porque, obviamente, é o último prazo). E sem ajuda de empregada, faxineira ou babá - se virando sozinha já que em um certo momento o marido some e está sem celular.

 Confesso que de início não simpatizei nem um pouco com a personagem central, Eliza Welch, comecei achando ela chata, muito chata...

É bem verdade que a relação da Eliza com a melhor amiga - com passagens politicamente incorretas porém previsíveis - torna o início do filme um pouco mais interessante, mas ainda assim eu continuava sentindo uma certa má vontade em assistir o filme...
A cena da pracinha, conversando com outra mãe, (caricata total) apesar de super clichê é até engraçada (ilustra bem o exagero que as pessoas ás vezes cometem quando levam tudo ao pé da letra...).
 A sequência dela indo buscar as coisas para a festa da filha de bicicleta, porque seu carro foi rebocado, me fez rir bastante (hohoho, como sou má!). Mas quando ela chega em casa - no último andar de um prédio sem elevador - e precisa subir aquele monte de sacolas sozinha (o marido tinha saído com o filho mais novo)  comecei a ficar solidária com ela.  Lá pelas tantas ela recebe ajuda do rapaz do correio e eles acabam conversando enquanto enchem os balões da festa.
 Na minha opinião, essa parte vale o filme todo pela reflexão do significado. Por alguns momentos, trocando ideias com um estranho ela relembra a sua própria vida e quem era antes da maternidade.
 Foi  aí que percebi que ela não era  uma chata...era apenas uma mulher que se tornou mãe em tempo integral por opção. Uma mulher que tinha uma vida independente e agitada, vivia arrumada, lia muito e tinha uma produção textual grande e de repente se viu mergulhada em todo um universo materno-infantil sem pensar muito em si mesma (soa familiar para alguém?). 
 A Eliza ainda encontra tempo para dar uma surtada rápida por causa de uma coisa que o marido fala de um texto que ela escreveu (típica falha na comunicação verbal de casal, saca?) e simplesmente resolve sair dirigindo, largar tudo...simples assim (será?). Até que discutindo com ele por telefone ela escuta o filho mais novo engasgando e volta correndo. Lendo agora sei que parece uma coisa idiota de uma mulher histérica mas achei essa parte do filme muito emblemática. Traduz bem a questão central da história que (para mim) é: a vida muda para sempre depois de ter um filho. Você muda para sempre de uma forma irreversível. E sim, é normal sentir saudades de si mesma (saudades daquela pessoa que você era antes de ser mãe) e ainda assim não trocar por nada essa nova vida cheia de fraldas, músicas infantis e brinquedos espalhados pela casa.
 Também cabe destacar a D.R. que ela tem com o marido pós-surto. Passei o filme inteiro achando ele um babaca, alienado e aparentemente egoísta. Mas durante a conversa ele expõe o seu lado da história, medos e incertezas...e acabei achando que ele não é tão mau assim. O que se vê são duas pessoas que fizeram sacrifícios e concessões, cada um na sua medida. E no final do filme a gente descobre a razão dele ter sumido (não vou contar, há há há) e aí, puxa vida, fiquei com vontade de dar um abraço no cara!  
O filme terminou comigo torcendo  para que a Eliza ganhasse o tal concurso (o texto fofo que ela escreve sentada na escada do seu prédio enquanto rola a festa da filha no apartamento fez meu coração de manteiga amolecer mais um pouquinho). 
Um filminho para ver sem grandes espectativas (provavelmente maridos, namorados e amigas sem filhos não vão curtir, hehehe), mas com uma mensagem interessante.  

Ah... e descobri o que me causava tanto incômodo no começo do filme e quase me fez desligar a televisão ...
O negócio é que a Eliza tem muitas semelhanças comigo, amigas minhas...com todas nós. Algumas passagens da vida dela poderiam ser a minha vida...ou a de vocês. E na maioria das vezes, quando tenho um tempinho para assistir um filme inteiro (coisa rara), cenas da vida cotidiana não são a minha primeira opção de diversão. Tenho certeza que, assim como eu, a maioria das mães nem sempre acha a vida um mar de rosas... Mas... ainda bem que não é, né? 
Afinal, se no mar só tivesse rosas íamos perder toda a beleza do estouro das ondas e o colorido dos peixes, algas e corais... 
Então seguimos nossa aventura diária, surfando  nessa deliciosamente bagunçada "tal maternidade".


 Isso me lembra uma frase que eu adoro (e não lembro onde li): "Padecer no paraíso? Que nada!!!! Ser mãe é se divertir e ser feliz no caos..."

Pois é...

7 comentários:

Micheli disse...

Eu também já comentei sobre esse filme no blog uns meses atrás. Não achei um super filme, mas a gente se identifica em algumas cenas cotidianas, sim.
Um beijo!

Beta disse...

Oi Micheli!
Tb não achei super filme, só comecei a ver por causa da Uma (amoooo ela). Mas no fim acabei curtindo por causa das situações envolvendo a maternidade.
Na minha época pré-Alice eu tenho certeza que passaria reto por ele na locadora, hehehehe.
Bjão

Andrea Nunes disse...

Não assisti ainda, fiquei curiosa, quem sabe nos próximos meses eu arrume tempo de ver um filme inteiro!! hehehehhe :o)

beijoca

Lane e Pedro Henrique disse...

Fiquei curiosa, vou assistir!

Mirela... disse...

Olá,fiquei curiosa....Também sou mãe de 3! \sou nova no mundo Blog, mas adoraria que vc me visitasse e desse sua opiniao! Bjsss e vou te seguir! Mirela
www.mirelatemalgoadizersobre.blogspot.com

Beta disse...

Andrea, Lane e Mirela: assistam sim, no mínimo vai render algumas risadas, hehehe.
Ah, Mirela, vou te seguir e te linkra, ok?
Bj em todas!

Mariana disse...

adorei os comentários do teu texto, mesmo sem ver o filme, a gente se ve....