Alice fazendo um lanchinho enquanto esperava as roupas secarem na lavanderia...(julho/2009)
Atendendo ao pedido da minha amiga querida Karen, mamãe do lindão Roberto (mais conhecido como Rei dos olhos azuis piscina) vou detalhar um pouco mais a minha experiência com a translactação e explicar tudinho.
Vem comigo!
A translactação é uma técnica que consiste em colocar uma sondinha conectada a um recipiente com leite materno ou leite artificial junto ao mamilo da mãe para que o bebê ao sugar o seio receba junto o conteúdo do recipiente.Ela é muito utilizada em hospitais para alimentar bebês prematuros que ainda não possuem força suficiente para mamar no seio com força e também para mães adotivas que querem amamentar seus filhotes do coração (e quem sabe produzir o prórpio leite pois com o estímulo na glândula isso é possivel...).
O que nem todas as mulheres sabem (eu não sabia!) é que a produção de leite é resultado de todo um mecanismo orgânico e depende de dois hormônios: a ocitocina e a prolactina.
A prolactina é o que efetivamente produz o "mamá", faz a as glândulas mamárias ficarem preenchidas com leite materno. Mas para isso acontecer é preciso entrar em ação a ocitocina, que manda o aviso para nosso cérebro e faz o leite "descer".
Explico: quando o bebê está sendo amamentado no peito é o estímulo da sucção que estimula a produção do leite. Por isso não é necessário estar com os peitos sempre estourando para garantir uma boa produção, até porque grande parte do leite é produzido no momento da mamada.
Assim, fica fácil deduzir que quanto mais o bebê sugar, mais leite o corpo produz, né?
E a mamadeira?
Pois é, não quero assutar ninguém mas...sim, a mamadeira atrapalha esse delicado equilíbrio. Porquê? Bom, o raciocínio é simples: o estímulo da sucção faz o cérebro mandar uma mensagem ao corpo que é preciso produzir mais e mais leite. Se o bebê usa mamadeira vai sugar menos o seios da mãe e consequentemente eles produzirão menos leite...
Além disso para mamar no peito o bebê precisa fazer força, sugar com vontade (o que é um ótimo exercício para a mandíbula, futura dicção...) e na maioria das mamadeiras basta uma encostadinha no bico e o leite já sai em jatos, sem precisar esforço nenhum. E isso pode levar a um desmame precoce pois o bebê desistirá de mamar no peito, afinal na mamadeira é beeeem mais fácil para ele.
Por isso muitas vezes acontece das mamães acharem que o bebê não quer mais o seio...ou que seu leite acabou. E o bebê é desmamado bem novinho, ás vezes antes de completar um mês.
##Abrir parênteses: Quero deixar claro que respeito totalmente quem decide usar mamadeira, seja por necessidade ou conveniência...enfim! Cada um é livre para fazer suas escolhas, e a amamentação é uma questão muito pessoal, algo muito íntimo de cada mulher. E eu não estou aqui para ser mais uma daquelas chatas que ficam julgando ou se achando melhor que qualquer mulher por uma ou outra razão (aliás acho isso uma coisa de mentes e almas pequenas, um saco!). Fechar parênteses##
Mas e quem precisa usar leite artificial ou por alguma razão precisa bombear o próprio leite e dar para o bebê e não quer de maneira nenhuma correr os riscos do desmame por causa da mamadeira, faz o quê?
Pois é aí que entra a translactação.
No meu caso era preciso complementar as mamadas da Alice (outra hora dou meu depoimento só sobre amamentação, aqui dá para ter uma ideia de como foi). Estava estressada demais por causa da tal mamadeira e por acaso estava na farmácia comprando conchas para seio e quando puxei de uma prateleira alta a caixinha delas, uma outra caixa caiu na minha cabeça, literalmente. Na hora que olhei o que era, caiu uma ficha gigante, recebi uma luz. Eu já tinha lido alguma coisa sobre translactação para bebês adotados e prematuros mas não tinha me aprofundado no tema, tampouco sabia que existiam kits para uso doméstico, pensava que era apenas em ambiente hospitalar. E foi aí que eu comecei a dar o complemento da Alice através da sondinha, junto com o leite materno. E a coisa funcionou muito bem, porque ao mesmo tempo que ela recebia o complemento da mamada, estimulava meu seio com a sucção e fazia força para mamar. Aleitamento misto não era exatamente o que eu sonhava para minha vida materna mas era a opção que eu tinha e o importante era que minha filha continuava mamando no peito, ainda que tomasse também o leite artificial.
Confesso que não era a coisa mais fácil do mundo, eu me atrapalhava um pouco com a sonda no início, mas valeu muito ter insistido. O mais engraçado era cara de estranhamento e curiosidade das pessoas quando me viam tirando o kitzinho da bolsa em fraldários ou em qualquer lugar que ela fosse mamar no horário que tomava o complemento (uma vez na lavanderia isso rendeu uma cena engraçada).
Depois disso virei militante (mas sem perder a ternura, hehehe), vesti a camiseta da amamentação de peito aberto...literalmente. Decidi espalhar a ideia da translactação. Comecei a ler, pesquisar e entender bem o processo todo, até para poder ajudar alguma mãe que tivesse necessidade, afinal maternidade investigativa não tem graça se não for a serviço da causa, né?
E sabem, tenho certeza que foi graças à esse método maravilhoso que consegui manter o aleitamento materno, que segue firme e forte. E olha que a Alice já tem mais de dez meses e seis dentes. E cada vez que ela está mamando e me olha nos olhos, solta um pouco o seio e mostra esses dentes num sorriso eu sei que todo o esforço valeu a pena e tenho mais e mais certeza que faria tudo de novo se fosse preciso.
*imagens: acervo pessoal (primeira foto) e banco de imagens do Google.
*imagens: acervo pessoal (primeira foto) e banco de imagens do Google.

